domingo, 31 de janeiro de 2010

CAPAS DO ROCK: Black Sabbath - Paranoid (1970)


A arte da capa de álbuns de Rock geralmente são uma obra de arte a parte. Algumas delas são tão simbólicas que ficaram registradas na história e viraram sinônimo de suas bandas. Essa seção foi criada para analisar e tentar levantar informações sobre a origem de algumas dessas capas, seus criadores, as ideias por trás de sua concepção, curiosidades entre outras coisas.

Algumas capas representam perfeitamente o conceito do disco, mas também existem discos que não merecem a capa que tem, como Paranoid do Black Sabbath. Todo bom admirador de heavy metal, com certeza já ouviu esse clássico dos clássicos (se você não ouviu, ouça!!), que é o disco de maior sucesso comercial do Sabbath.

Embora já tenho ouvido o disco várias vezes ainda não entendi qual é a desse cara, vestido de personagem de anime, saindo de trás de uma árvore com uma espada na mão ao estilo “atacar”. O mais próximo que cheguei de descobrir de onde surgiu essa capa foi no site Mofo. Segundo o site o título do álbum deveria ser War Pigs, título da primeira faixa, que fala sobre política e guerra. Como a guerra do Vietnã ainda estigmatizava os Estados Unidos, os produtores decidiram mudar o nome (e a capa, pelo que entendi), visto que a banda buscava o sucesso na terra do tio san.

Devido a falta de tempo, a foto com o “japonês” (parece ser negro) saltitante foi eleita para ser a cara do que viria a tornar-se um dos melhores discos de todos os tempos. Claro que não se pode julgar um livro/disco pela capa, mas, na falta de ideias melhores, pinte a capa de branco, ou preto, deu certo em outras ocasiões eheh.


Tracklist

1 - War Pigs
2 - Paranoid
3 - Planet Caravan
4 - Iron Man
5 - Electric Funeral
6 - Hand of Doom
7 - Rat Salad
8 - Fairies Wear Boots

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

OSWALDO MONTENEGRO: Intimidade (2008)

Meu negócio é rock, mas também é MPB, é Jazz, é Blues, é música, sendo boa ta valendo, então vou registrar minha opinião sobre um dos melhores compositores que já existiram em nosso país.

Oswaldo Montenegro é o tipo de cantor que sabe emocionar; em sua já extensa carreira, compôs obras primas de arrancar lágrimas, como “Lua e Flor”, “Estrelas”, “Bandolins” e “A Lista”. Com frases certeiras Oswaldo sabe transformar clichês do romantismo em belas declarações - “eu amava, como jamais poderia se soubesse como te contar”, uma boa alternativa pra quem não encontra palavras pra dizer o quanto ama.

O CD e DVD “Intimidade” é o registro de um show feito para convidados em 2008, no apartamento do cantor no Rio de Janeiro. A atmosfera intimista do trabalho faz com que o ouvinte realmente se sinta na sala de Oswaldo, compartilhando a paixão do cantor ao interpretar “Estrada Nova”, um dos melhores registros do CD. “Intimidade” é uma proposta da Som Livre, de lançar shows gravados na intimidade do lar de artistas, o de Oswaldo é o segundo trabalho da série.

Além de “Estrada Nova”, o CD traz uma versão à capela de “O Condor”, grande clássico do compositor. Outros destaques, são as versões de “Lua e Flor”, “Pra Longe do Paranoá”, “Bandolins” e “Leo e Bia”, dueto com Zeca Baleiro.

Lua e Flor (Intimidade - 2008):

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MASTERS ALIVE: Scorpions - Speedy´s Coming/Pictured Life

Semana passada o Scorpions anunciou sua aposentadoria; mas antes os alemães lançarão um disco de inéditas e farão uma turnê de despedida, que com certeza passará pelo Brasil, assim espero. É uma pena, com certeza, mas pelo menos a banda termina em uma ótima fase, seu último álbum, Humanity Hour 1 (2007) é de tirar o fôlego. Depois de saber da notícia resolvi dar uma re-ouvida no material antigo do Scorpions: Virgin Killer (1976), Tokyo Tapes (1978), Fly to the Rainbow (1974)- que definitivamente não merece a capa que têm - entre outros discos não tão famosos, pelo menos entre o "grande público" que gosta mais do repertório feito pelos caras no fim dos anos 80, que também é muito bom, diga-se de passagem.

Segue aí duas excelentes músicas do Scorpions anos setenta:

Speedy´s Coming (Fly to the Rainbow - 1974):


Pictured Life (Virgin Killer - 1976):

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

THE BEATLES: Lennon e McCartney

Em 2009 o jornalista americano Philip Norman lançou a mais completa biografia de John Lennon (John Lennon – A Vida, companhia das letras), uma das personalidades mais influentes do século XX, na música, no ativismo social e em praticamente todas as atividades em que se envolveu.

Na última semana terminei de ler as 800 páginas da mega produção literária (estou preparando um texto sobre isso), e a recomendo; Através do livro é possível entender boa parte da história de Lennon, dos Beatles, da Inglaterra pós-guerra, da cultura pop, entre outros assuntos.

Através do livro é possível constatar que o líder da maior banda de todos os tempos tem uma trajetória fantástica, mas, lendo sua biografia passei a admirar muito mais a figura de...Paul McCartney, ao menos como músico.


Falar de Beatles é comprar briga certa, afinal de contas não se pode blasfemar contra Deus (enfim, alguns realmente pensam assim), mas vou arriscar. Juntos Lennon e McCartney, são imbatíveis, mas, pra mim, Paul é o “melhor Beatle”.

Aos que não sabem, nem todas as músicas compostas por Lennon e McCartney, foram verdadeiramente escritas em parceria. Devido a trâmites contratuais da Northern songs, empresa que, entre outras coisas, gerenciava comercialmente as canções de ambos, todas as composições feitas, mesmo separadamente, deveriam ser creditadas aos dois. Isso devido ao grande valor que, na época (até hoje, na verdade), o nome da dupla agregava a qualquer música. Foi assim até pouco tempo depois do fim da banda, tanto que Give Peace a Chance, composição de Lennon já em sua carreira solo, foi também creditada a Paul.


Normam lista na biografia algumas dessas canções feitas separadamente. Sem dúvida isso já não era novidade pra muita gente, mas isso me ajudou a chegar a essa conclusão, já que, dessa leva de composições “não compartilhadas”, prefiro as músicas feitas por Paul. For no One, Here There and Everywhere e Yesterday, são algumas das canções feitas só por McCartney, já Come Togheter e I am the Walrus, por exemplo, foram compostas por Lennon.

Outro fator para preferir Paul é analisar sua discografia solo, muito mais consistente do que a de John, que funcionou como uma válvula de escape para sua conturbada história. Na verdade esse post se destinava a falar sobre um dos álbuns de Paul, feitos já com os Wings, Band on the Run, de 1973, que sozinho (modesta opinião) já é melhor do que qualquer álbum solo de Lennon.

Claro que tudo isso não desmerece em nada o trabalho de nenhum dos dois que pra mim são gênios. Ou melhor, como Beatles, não desmerece o trabalho de nenhum dos quatro, pois os quase sempre “esquecidos”, George e Ringo, também foram fundamentais para o grupo.

Me empolguei e o Band on the Run fica pra outra ocasião, segue aí pelo menos uma das músicas do disco:


domingo, 24 de janeiro de 2010

Rock in Pato Branco

“Quando eu olhei, saiu um cavalo branco do meio do mato, e nele tava pintado Black Sabbath”. Não, essa não foi uma frase oriunda de uma viagem lisérgica, tal fato foi relatado pelo jornalista Rafael Barzotto, ao lembrar momentos marcantes do festival Rock in Ruzza, que agitou a cena roqueira patobranquense nos anos 90. Essa e outras histórias foram lembradas no Podcast sobre o rock em Pato Branco, gravado no dia 14 de janeiro no Mali Pub. O Podcast foi produzido pela equipe do site Pato Branco.net, em parceria com a fanzine Sindromina.

O Rock n Roll já possui uma extensa trajetória em nossa cidade e região. Parte dessa história foi resgatada pelo músico Beto de Bortolli, no documentário que o mesmo produziu sobre o gênero em nossa cidade. Ele que inclusive ajudou a escrever capítulos dessa história, ao ser vocalista e compositor da banda Eu e Mais Dois, Madona Bege e por ter tocado com o Jardim Elétrico que, possivelmente, são os grandes dinossauros do rock patobranquense.

Beto esteve presente na gravação do programa, onde aproveitou para contar um pouco da sua ligação com a música e sobre o seu documentário. Também estiveram presentes o cartunista e editor da fanzine Sindromina Rodrigo Mello Campos, os músicos da banda Le Socian, Leonardo Fantinel e Diego da Cruz, o publicitário Noah Mera (apresentador do podcast) o já citado Rafael Barzotto, convidados, e eu, Nelson Junior.

Na descontraída gravação rolaram muitas lembranças dos festivais que já aconteceram por essas “bandas”, como o Rock in Ruzza, Estação da Luz e Rock´n Roll Night. Foram lembrados também grandes shows já realizados na capital do sudoeste como o de Roberto Carlos e Raul Seixas. Beto conta que Raul tocou apenas duas ou três músicas e caiu do banquinho, encerrando o show. Quando aportou por aqui, o maluco beleza já estava passando por problemas sérios de alcoolismo. Mais recentemente, Nazareth e Paul Dianno também desembarcaram na região. Do rock nacional a lista de bandas e artistas que já se apresentaram no sudoeste é até extensa: Barão vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso (show em Francisco Beltrão), Tianastácia, Nando Reis (também em Beltrão), entre outros.

Influências também foi outro assunto debatido. The Beatles, Rolling Stones, The Who, Pink Floyd, são algumas das bandas mais presentes no hall de inspirações dos rockers patobranquenses. Leonardo e Diego, da banda Le Socian representam o grupo de músicos mais influenciados pelos anos oitenta e noventa. Nirvana, Soundgarden, Red Hot Chilli Peppers entre outras ajudaram a fazer a cabeça dessa nova geração. Foram lembrados ,também, o grupo de patobranquenses que se dedica ao rock mais pesado, com influências indo do Heavy ao Trash Metal. Os festivais regionais Metal Massacre e Noel Rock são mais voltados para esse público.
Muitas bandas de Pato Branco e da região foram lembradas na gravação do Podcast; Jardim Elétrico, Eu e Mais Dois, Bixo de Pé, Radiophonics, Paraná Blues, Vitrola a Gás, Otávio Keulbeck, Tango ou Mambo e Amarelo Patrola, esta que em 2006 foi uma das bandas que encabeçou o “ressurgimento” do rock, que estava meio estagnado em nossa cidade.

Certamente muita coisa e muitas bandas não foram citadas no programa, seria difícil abarcar tudo em apenas uma hora de conversa. Daqui a alguns dias o podcast Rock em Pato Branco estará disponível para audição no Pato Branco.net, lá você poderá conferir em detalhes essas e outra histórias, como a do dia em que o disco da vaca (Atom Heart Mother - 1970) do Pink Floyd, foi comprado como disco de música sertaneja.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

2010, planos e Uriah Heep

2010 já começou há 22 dias, e o meu pior defeito, a preguiça, ainda não havia me deixado, começar a fazer as inúmeras coisas que sempre planejo, mas, nunca faço. Se bem que estou melhorando, ano passado fiz tudo que planejei fazer: Fui aos Intercons, consegui levar o documentário que eu e meus colegas fizemos para a final da Expocom, fiz mais um curta metragem, dirigi outro documentário, só não ganhei nada no Sicredi Universitário e não participei do Amsop. Pra quem costumava passar o ano todo só querendo fazer tudo, já ta de bom tamanho.

A virada do ano passei na minha querida Goiânia, segunda casa (que mais parece a primeira). O mais legal foi ter feito pela primeira vez os 1400 quilômetros ao lado da Mara; o mesmo trajeto que tantas vezes eu e ela fizemos sozinhos, sorrindo (na ida) e chorando (na volta).

Mas enfim, sei que ninguém entra aqui pra ouvir falar de mim, então vamos ao que interessa, rock!! que em breve será música em geral, já que to me coçando pra escrever sobre o Chico, o Zé Ramalho e o Oswaldo Montenegro, que andei re-ouvindo esses tempos.

Bom, já cansei de dizer aqui que minhas décadas do coração são os anos sessenta e setenta, as melhores bandas do mundo, pra mim, nascerem nesse período. Ultimamente andei ouvindo muito Van der Graaf Generator, especialmente o Still Life (1976), Yes, Focus (moçada, larguem um pouco do Pink Floyd!! Tô dizendo), John Lennon, Dave Matthews Band (o Crash de 1996) e recentemente descobri (isso mesmo!!), o Uriah Heep. Na verdade já os conhecia, mas, assim como várias outras bandas essenciais como Van Halen, eu ouvi muito pouca coisa.
Ouvi o álbum Demons and Wizards, quarto da carreira dos britânicos, que nesse disco fazem um Hard Rock limpíssimo. Logo nos acordes da primeira canção, “The Wizard” veio a surpresa, eu já a conhecia, e achava que era uma das melhores canções...do Blind Guardian, é, vivendo e aprendendo. No entanto constatei que na versão original ela é ainda mais bonita.
A atmosfera de Demons and Wizards é mágica como um álbum do Rainbow e ao mesmo tempo matadora como Machine Head do Purple, mas menos pesado. Ainda preciso ouvir mais o disco, mas as duas audições que fiz já foram suficientes pra querer conhecer mais a banda, que certamente honra a qualidade do rock feito naquela década.

Segue aí, Uriah Heep - The Wizard:


Era isso...bom estar de volta.